Sobre a angústia existêncial e o medo da morte

As palavra alemã Angst e a palavra francesa anomie são palavras que referem-se a uma desordem na existência humana, uma anomalia, um sentimento de ansiedade  que se manifesta no plano existencial.

Jean Paul Sartre e Martin Heidegger exploraram vários aspectos da angst, baseados na alienação humana que se seguiu no pós segunda guerra mundial.  Angst é o nome coletivo que se dá ao sentimento de medo  de nos perdermos na vastidão do mundo impessoal e de sermos reduzidos à insignificância cósmica. Reflete um temor de falta de significado e objetivo para a vida, um desespero diante da realidade da morte.

Esse tipo de angústia se torna aguçada durante a meia –idade. A força da juventude nos leva a ignorar ou mesmo negar a existência do medo da morte.

A morte é realidade rotineira de muitos hospitais, em algum momento essa realidade pessoal bate à nossa porta, através  de algum parente enfermo, ou de nós mesmos,  o fato é que a morte é uma coisa que não acontece só com outras pessoas, vai acontecer com a gente também.

Grande parcela da sociedade ocidental parece ignorar a morte, o Ocidente tenta se esquivar do assunto, já dizia Erneste Becker em seu livro “A negação da morte”.  Famosa frase de Woody Allen é: “Não tenho medo da morrer. Só não quero estar lá quando isso acontecer”.  O trauma da transitoriedade parece insuportável. Satanás seduziu Adão e Eva com a frase “certamente não morrereis”.

Para o ser humano é uma ameaça terrível, aceitar o fato de que o mundo em que investimos tanto tempo e esforço continuará sem a nossa presença. É muito melhor a ilusão de pensar que nós e o mundo continuaremos a existir para sempre e podemos sempre gozar dos bens materiais que conquistamos durante a vida. A realidade no entanto, é bem diferente, o sofrimento desfaz nossas ilusões de imortalidade.

Os fatos brutais da vida, nos levam a romper com a ilusão, levando-nos em direção a Deus, longe da falsa segurança e das recompensas mundanas.

O desejo por algo em que a morte não possa tirar de nós; o desejo de imortalidade, a vontade de transcender a fronteira final, se encontra intimamente ligado às doutrinas cristãs da criação e redenção. Deus nos criou para a vida eterna, mas o pecado atrapalhou, encurtou nossa vida, fazendo nos desviar de Deus e criando uma sensação de incompletude. A angústia é um sintoma do vazio que a morte nos trouxe por causa do pecado.

A notícia boa é que a angústia diante da morte, acaba por se tornar uma entrada para a vida eterna. Ela nos obriga a fazer perguntas no qual o Evangelho trouxe a resposta. A realidade da morte aponta para a necessidade espiritual de morrer para o ego, ser crucificado com Cristo e ressuscitar para a vida eterna com Ele.

Lutero, já indagava: Onde posso achar um Deus gracioso? Hoje a pergunta de muitos é: “Onde posso achar segurança e paz de espírito? Na verdade, ambas as perguntas são as mesmas! Lutero raciocinava em termos teológicos na busca de um Deus gracioso, os que fazem a segunda pergunta são pessoas inseguras, sem um entendimento espiritual, cujo o questionamento pode levá-las ao caminho do encontro do Deus Gracioso.

A sensação de medo que assola a natureza humana é o bater de Deus à nossa porta da vida, lembrando-nos que somos apenas peregrinos nesse mundo de ilusão, que a nossa verdadeira morada não é essa. Deus permite que o medo da morte nos conduza a alegria do perdão, à descoberta de Jesus Cristo e à esperança da vida eterna.

Referência

Apologética Cristã no século XXI. Alister McGrath

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