Por que a maioria das descobertas das pesquisas publicadas é falsa?

Em um dia, comer ovo ajuda o coração, no dia seguinte, aumenta a possibilidade de infarto. Aspirina um dia ajuda a mitigar o avanço do mal de Alzheimer, no outro dia ajuda o progresso da doença e assim por diante.

John Ionnidis, pesquisador de Boston, demonstrou por meio de simulações e cálculos matemáticos, que as conclusões obtidas com números hoje tidos como suficientes para a extração de uma correlação estatística real, na verdade possui dentro de si, uma probabilidade grande se ser apenas um “acidente” de contabilidade.

Todo o problema é trabalhar por correlação, em vez de causação. Os pesquisadores analisam os seus voluntários e tentam estabelecer coincidências entre dois fatos distintos, por exemplo, beber vinho e ter mais ou menos problemas no coração. Se encontrarem algum paralelo estatístico, apresentam a potencial descoberta.

Alguns dos estudos mais citados nas pesquisas biomédicas foram refutados alguns anos depois de sua publicação. Por exemplo, pesquisas no início dos anos 90 diziam que a vitamina E podia reduzir pela metade acidentes cardiovasculares. Hoje sabemos que a vitamina E não ajuda, e em doses grandes podem até aumentar a mortalidade.

Esses erros acontecem porque os pesquisadores são humanos e precisam fazer descobertas significativas para manter o financiamento às suas linhas de pesquisas. Algumas vezes os pesquisadores redigem seus resultados da forma mais espalhafatosa possível a fim de produzir grande impacto.

Outro exemplo clássico foi de um estudo mostrando que comer bacon aumenta 20% a chance de alguém ter câncer no intestino. Parece um numero assustador. Mas o que ele realmente quer dizer? Não sabemos até tomarmos conhecimento da probabilidade de uma pessoa qualquer ter a mesma doença. Aí descobrimos que esse risco é de 5%, ou seja na realidade comer bacon faz com que o risco que era de 5% suba para 6%, aí já não assusta tanto!

Eis que a ciência não é aquele joguinho da verdade que muitos acham que é. É apenas uma forma humana de produção de conhecimento com seu próprio conjunto de regras, e com elas suas próprias mazelas. É fato que, no fim das contas, muitas vezes a verdade acaba surgindo, e os avanços passam a ser inegáveis, mas no meio do caminho o processo é tortuoso e perigoso, mais do que os cientistas admitem.

Referência

Ciência proibida. Salvador Nogueira. Super Interessante.

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