Contribuições do protestantismo para a Civilização Ocidental

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É muito decantado na Internet, principalmente por apologistas católicos, o legado ou os avanços de nossa civilização a partir dos feitos da Igreja Católica, conceito que ganhou força principalmente nas idéias do filósofo brasileiro Olavo de Carvalho, o qual prega uma espécie de revisionismo histórico que nega as cruzadas, a inquisição e ataca o protestantismo, possuindo muitos seguidores fanáticos que levam a frente as suas ideias. Dentre esses feitos o mais destacado é a criação ou sistematização das Universidades pelo Catolicismo. Apologistas evangélicos já discutem se foi mesmo a Igreja Católica que fundou ou sistematizou as primeiras Universidades, não iremos entrar nesse mérito, como o próprio título da postagem indica, falaremos sobre os avanços que o protestantismo trouxe à Civilização Ocidental, dentre esses avanços também está à sistematização, organização e criação de muitas Universidades.

A primeira grande área em que a Reforma do século XVI, exerceu grande influência foi a familiar. Martinho Lutero é considerado o fomentador do modelo de família que se tornou padrão no ocidente, mas que hoje está em declínio. A mentalidade católica na Idade Média, não considerava que criar uma família redundasse em glória para Deus, pois isso era considerado mundano, comum, e, portanto, os fiéis mais devotos deveriam se separar dessas preocupações e concentrar-se em sua ascensão espiritual na escala da experiência cristã.

Na igreja católica as relações sexuais eram vistas como um mal necessário para o propósito da procriação. Os reformadores causaram grande escândalo ao dizer que o sexo também tinha o propósito de prazer e comunhão no relacionamento entre marido e mulher. A imagem de família que recebemos da Reforma é uma família sentada em volta da mesa orando, lendo a Bíblia e cantando, tocando instrumentos, jogando e brincando, a família foi valorizada como propósito de Deus para a vida em comunidade.

Outra área em que a Reforma exerceu influência foi a da arte. Dois princípios entraram em vigor com o protestantismo. O primeiro princípio prega a aceitação do mundo como criado por Deus, sob o cuidado de Deus, embora caído. O segundo princípio defende que não é necessário sacralizar a arte, exigindo que ela seja um instrumento moral ou religioso a favor da igreja.

É verdade que a cosmovisão medieval produziu maravilhosas obras de arte, no entanto, a cosmovisão da Reforma libertou a arte do jugo religioso, permitindo que ela se tornasse um empreendimento autônomo. Podemos citar como artistas que se destacaram nesse período: Rembrandt van Rijn, Johannes Vermeer, Lucas Cranach e Albrecht Durer, todos estes tinham em comum a devoção ao evangelho recém-descoberto pelos reformadores.

Outra área em que a Reforma também exerceu influência foi a musical. Johann Sebastian Bach foi o maior exemplo protestante nesta esfera. No inicio de suas obras, Bach escrevia: Jesu Juva! – “Jesus, ajuda!” e, no final, depois de escrever a última nota, gravava: Soli Deo Gloria! – Somente a Deus a glória. Podemos citar como outros exemplos de artistas de mentalidade reformada: Clement Marot e Louis Bougeois, que musicaram os salmos cantados pela igreja reformada na Suíça. Todos esses artistas exerceram suas vocações tanto na esfera puramente musical como na esfera do culto, sem confundir ou subordinar uma à outra.

Outra área em que a Reforma atuou foi a da literatura. A era dourada da Literatura Inglesa, foi fruto da Reforma, caracterizada pelo romance moderno, os estudos históricos e uma variedade de experimentos literários. Os principais representantes desse período são: Edmund Spencer, John Donne, George Herbert, John Milton e John Bunyan. No século XX essa tradição foi retomada por escritores como Dorotthy L. Sayers e C.S Lewis, que apesar de não serem necessariamente reformados, usaram a ficção e a fantasia para transmitirem verdades cristãs.

A ciência também foi outra esfera  que a Reforma influenciou. Uma vez que se ganha espaço para a observação empírica da criação, o cientista adquiriu liberdade para seguir a sua vocação, sem que tivesse religiosos imperitos nas ciências julgando suas conclusões. Exemplos de cientistas de destaque desse período: Johannes Kepler, Robert Boyle, Francis Bacon e Isaac Newton, todos eles criam que a criação se harmonizava comResultado de imagem para melanchton imagens as Escrituras, pois Deus é o autor de ambas.

Finalmente chegamos à última esfera de influencia protestante que será abordada nesse texto, a saber: a educação. Na academia de
Genebra, das vinte e sete preleções semanais, três eram sobre teologia; oito, sobre hebraico e Antigo Testamento; três sobre ética
; cinco sobre oradores e poetas gregos; três sobre física e matemática; e cinco, sobre dialética e retórica. Os textos continham obras de Virgílio, Cícero, Ovídio, Homero, Aristóteles, Platão e Plutarco. Alunos de toda a parte de Europa afluíam para a Suíça para estudar em Genebra.

Entre 1645 e 1660, o número de escolas de ensino fundamental dobrou sobre a influência política dos puritanos na Inglaterra. Com a chegada dos puritanos nos
EUA, o tribunal de Massachusetts votou a favor para que fossem aplicadas quatrocentas libras na fundação de uma escola ou faculdade. Assim surgiu a faculdade de Harvard, inaugurada em 1636.

Philipp Melanchthon, o amigo de Lutero, é considerado o fundador do ensino público gratuito, tendo tirado as escolas do controle privado. Na Europa ele ajudou a reformar oito universidades e a fundar outras quatro, sendo chamado de o “Instrutor da Alemanha”. Outro educador reformado de destaque foi o polonês Jan Amos Comenius, que é considerado por muitos como o pai da educação moderna. A partir da tradição reformada surgiram as universidades de Zurich, Strasburgh, Geneva, Edinburgh, Leiden, Utrecht, Amsterdam, Harvard, Yale e Princeton. Os puritanos restauraram Oxford e  Cambridge, e as igrejas luteranas e reformadas na Alemanha reconstruíram a decadente Universidade de Heidelberg.

Referência

MYATT, Alan & FERREIRA, Franklin. Teologia Sistemática. Faculdade Teológica Batista de São Paulo. Rio de Janeiro: 2002
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