“Brasil para Lerdos”, “Seu Craysson” e Dom João VI

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O Clayson do canal Clayson fez mais uma crítica ao Brasil Paralelo. Brasil Paralelo que promove uma série de vídeos de cunho histórico e nesse seu último vídeo andou falando da vinda da Família Real Portuguesa ao Brasil em 1808. O Brasil Paralelo já mostrou nos conteúdos de suas produções que promove um certo revisionismo histórico, ao meu ver, com o intuito de criar um certo conservadorismo com raízes ibéricas para o favorecimento da tal nova direita brasileira. Nisso envolve-se apologia à personagens maçônicos e imperiais.

Eu não assisti esse episódio do documentário, não tenho paciência, acho tudo muito bucólico, barroco, mas assisti a crítica de Clayson, e como bom entendedor já dá para emitir uma opinião.

Como no vídeo dos Templários o Clayson acerta novamente, não existe heroísmo no episódio da Vinda da Família Real Portuguesa ao Brasil. Essa vinda se insere na busca por mercados consumidores na época da Revolução Industrial, ou seja, na disputa entre as duas maiores  potências da época: França e Inglaterra.

A França, no comando de Napoleão, possuía um exército muito mais poderoso do que o da Inglaterra, por outro lado a Inglaterra possuía uma Marinha bem mais poderosa do que a francesa. Napoleão percebendo que não conseguiria invadir a Inglaterra, resolveu decretar o Bloqueio Continental que proibia as nações europeias continentais de comerciar com a Inglaterra.

Portugal dependente economicamente da Inglaterra, não podia bloquear seus portos aos navios ingleses, sob pena de ruína total, por outro lado, desobedecer Napoleão poderia significar a invasão do país por tropas francesas. Pressionado pelos dois lados, Dom João VI procurou ganhar tempo, até que em outubro de 1807 assinou uma convenção secreta com a Inglaterra que previa:

  • Proteção da marinha inglesa para a família Real e funcionários do alto escalão da Corte na fuga para o Brasil.
  • Direito Inglês de instalar na Ilha da Madeira bases militares.
  • Direito de utilização de portos no sul do Brasil para o comercio inglês com a região do Rio da Prata.

Ao ficar sabendo do acordo luso- inglês, Napoleão assinou com sua aliada Espanha o Tratado de Fontainebleau que preconizava:

  • A invasão e desmembramento de Portugal
  • A divisão das colônias portuguesas entre França e Espanha
  • A extinção da dinastia de Bragança.

A fuga para o Brasil foi um momento dantesco! As tropas francesas já haviam invadido o país, enquanto o Tesouro Nacional era saqueado por membros do governo lusitano e nobres que fugiam para o Brasil. O povo estava sendo roubado e abandonado por sua Nobreza num dos momentos mais críticos da história do país.

A corte corrupta e os parasitas que viviam em sua volta fugiam para gozar as delícias e a segurança da Colônia Tropical. Dom João fugiu disfarçado para não ser reconhecido pela fúria popular, no desespero muita gente morreu afogada tentando nadar até os navios que partiam.

Segundo Nelson Werneck Sodré, “ Foi um salve-se quem puder trágico, amargo, característico do nível de desagregação a que chegara o Reino de Portugal sob o governo bragantino e de uma classe feudal inepta e corrupta. O espetáculo teve cores dantescas”.

No meio da balburdia, uma frase acertada foi dita pela louca rainha D. Maria I aos que a conduziam: “ Não corram tanto! Vão pensar que estamos fugindo”

Nota-se que não houve nenhum heroísmo na vinda da Família Real ao Brasil, e quem mais ganhou com isso foi a Inglaterra que teve seus produtos facilmente comercializados no Brasil, de lenços a caixões, com preços alfandegários até menores do que os produtos vindos até mesmo de Portugal o que afetou ou atrasou o inicio da industrialização brasileira.

Notamos então que esse revisionismo do Brasil Paralelo não cola, o Brasil desde o início foi uma colônia de exploração, vieram para cá primeiramente degredados e criminosos e posteriormente toda uma nobreza e burocráticos corruptos que ajudaram a formar o tal do jeitinho brasileiro que se caracteriza por tirar vantagens em tudo em detrimento de qualquer ética ou responsabilidade.

Referência

História do Brasil. Francisco de Assis Silva.

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