A Inquisição Espanhola e a Perseguição aos Protestantes!

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Foi por volta de 1519 que os primeiros escritos de Lutero chegaram à Espanha, entre eles o seu comentário de Gálatas. Vindo dos Países Baixos, os livros dos reformadores iam penetrando na Espanha. Logo a Inquisição começou a tomar medidas para a destruição e proibição desses escritos.

Antes do final do reinado de Carlos V, algumas comunidades protestantes já existiam em Valhadolide e Sevilha. Juliano Hernandez o “Julianinho” foi um dos primeiros mártires que a Inquisição Espanhola abateu, fora levado várias vezes à câmara de torturas, não negou a sua fé e nem revelou o nome de seus irmãos. Depois de três anos de prisão e torturas, antes de ser levado à fogueira pronunciou as seguintes palavras:

“Coragem, camaradas! Esta é a hora em que devemos nos mostrar valentes soldados de Jesus Cristo. Demos fiel testemunho de sua fé diante dos homens e dentro de poucas horas receberemos o testemunho de sua aprovação diante dos anjos!”

Constantino Ponce de La Fuente, pregador da Catedral de Sevilha, era um estudioso das doutrinas protestantes. O convento de São Isidoro era outro centro de divulgação e estudos do protestantismo, com isso, os monges começaram a ler mais as Escrituras e dar menos atenção às rezas e ritos tradicionais. O protestantismo também chegou às freiras de Santa Clara e as cistercienses de São Belém.

Quando o protestantismo começa a chegar aos leigos das comarcas, prepara-se a tormenta, alertados, os monges de Santo Isidoro resolveram fugir para Genebra. Entre eles: João Perez, Cassiodoro de Reina e Cipriano de Valera, grandes tradutores e incentivadores da Bíblia na Espanha.

Centenas de pessoas em Sevilha e Valhadolide foram levadas às prisões da Inquisição, a guarda foi reforçada para que o povo não libertasse os presos. Constantino de La Fuente o Pregador de Sevilha, teve suas obras descobertas e estava entre esses presos, logo após em outras cidades, a Inquisição também prendeu várias pessoas.

Os processos inquisitoriais duravam por muito tempo, fazendo com que muitos morressem devido às más condições dos cárceres, antes mesmo de receberem o veredicto final. Um dos casos mais famosos foi o de Constantino que morreu de disenteria em uma prisão imunda, os inquisidores então inventaram a falsa história que ele teria se suicidado ingerindo vidros.

Numero de mortes:

1559 – Valhadolide – 27 pessoas mortas, 32 castigas publicamente

1559 – Sevilha – 21 pessoas mortas, entre elas 4 monges de Santo Isidoro que não haviam fugidos!

1560 – Sevilha – 14 pessoas mortas.

Durante os próximos dez anos, os autos de fé da Inquisição se multiplicaram e a cada ano houve pelo menos uma dúzia de pessoas mortas.

Houve também outras penas como confisco de bens, prisão perpetua, vestir sambenito etc. Desse modo, as mortes e punições aos luternos na Espanha foi bastante grande.

Muitos protestantes acabaram fugindo em meio às perseguições e fundaram várias igrejas protestantes espanholas em Amberes, Estrasburgo, Genebra, Hesse e Londres. Esses exilados traduziam a Bíblia para o Castelhano. Em 1602 Cassiodoro, um dos monges que haviam fugido, teve sua versão da Bíblia publicada, que chegou a ser a versão das Escrituras mais usada entre os protestantes espanhóis até recentemente.

Referência

História Ilustrada do Cristianismo. A Era dos Reformadores até a Era Inconclusa. Justo L Gonzales. Vida Nova.2011

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A Inquisição Espanhola e a perseguição aos Judeus!

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Na Espanha aplicou-se uma Inovação na Inquisição, que foi a mesma ficar sob a supervisão da Coroa. A petição fora feita ao Papa Sisto IV pelos Reis católicos Isabel e Fernando. Era um momento em que o Papado nos fins do século XV passava por dificuldades,  e Isabel, a Rainha Católica, estava convencida que a purificação e a reforma da Igreja tinha que acontecer por suas mãos e não pelas mãos do Papa.

Antes de aplicar o Tribunal do Santo Ofício, Isabel promoveu na Espanha, uma vasta campanha contra as heresias, para que os chamados hereges abandonassem seus erros voluntariamente.

Quando se começou a aplicar os decretos papais da Inquisição em Castela, logo começaram os protestos que acabaram chegando em Roma. Em 1482 O Papa Sisto IV cancelou sua Bula, até mesmo porque suas relações já não eram tão amigáveis com os Reis católicos Espanhóis. Um ano depois, com a atuação de Rodrigo Bórgia que seria o Futuro Papa Alexandre VI, a Inquisição Espanhola foi restaurada com a nomeação do famoso e cruel Inquisidor dominicano Tomás de Torquemada.

A Espanha tinha sido, por boa parte da Idade Média, um dos países europeus mais tolerantes com os judeus. No entanto, a partir do século XV as coisas começaram a mudar com relação à tolerância espanhola ao povo judeu, devido ao nascente nacionalismo espanhol baseado na fé católica e as ações da Reconquista.

A intolerância católica aos judeus na Espanha, os colocavam em um beco sem saída: Quando por muita pressão algum judeu se convertia, ainda sim ele não se livrava da perseguição, pois agora dizia-se que a conversão não era verdadeira e que o judeu continuava praticando os ritos de sua velha religião.

A inquisição que visava extirpar a heresia, e para ser herege era preciso ser cristão, começou a ser bastante rigorosa com os judeus convertidos ao catolicismo. A tortura era aplicada com grande freqüência e o nome dos acusadores no processo inquisitorial espanhol era mantido em sigilo.

Com os rigores da Inquisição, arrancavam-se através de torturas, novas confissões e novas acusações contra outras pessoas. Se algum acusado era absolvido, já teria passado muitos anos trancafiado nas prisões inquisitoriais, onde as condições eram péssimas, toda essa crueldade não tem justificativa, nem defesa como muitos apologistas católicos tentam.

Outra característica do processo inquisitorial era que os bens dos condenados à morte, eram confiscados, a principio, esses bens eram destinados a obras religiosas, depois foram parar nos fundos reais.

Existiam também as “reconciliações” que consistia num pagamento de dinheiro para a liberdade, nos anos de 1495 a 1497, o dinheiro obtido nas reconciliações foi utilizado para pagar as despesas da guerra de Granada.

Nessa época, corriam por todos os lados, boatos contra os Judeus, os judeus que não se convertiam e assim estavam fora da jurisdição da Inquisição, eram acusados de tentar trazer de volta à sua fé, os judeus convertidos, comentavam-se falsamente também que os Judeus tramavam uma grande conspiração para tomarem o país.

Também no final do século XV, aconteceu o que ficou conhecido como o episódio do “santo menino da guarda” em que um grupo de Judeus convertidos fora acusado de matar uma criança num suposto ritual em que seu coração e uma hóstia consagrada foram utilizados para trazer malefícios contra os cristãos. Torquemada, com frágeis provas, declarou culpados os acusados e os mandou queimar em Ávila. A partir de então, em várias cidades, os espanhóis mataram e perseguiram muitos judeus.

Em 1492 vem o golpe final sobre os judeus da Espanha, um decreto real dava quatro meses para que todos os judeus deixassem a Espanha a não ser que se convertessem ao catolicismo, eles podiam vender suas propriedades, mas não podiam levar ouro, prata e cavalos. Os reis católicos esperavam através desse ato, que a maioria dos judeus ficassem e se batizassem, mas o povo de Abraão não se deixou abalar e mais de 100.000 judeus abandonaram o país e partiram para rumo incerto, muitos morreram assaltados e enganados por quem lhe oferecia ajuda, outros foram para Portugal de onde posteriormente também foram expulsos a mando de Isabel que casara sua filha com o Rei Português.

Conclusão:

A expulsão dos judeus da Península Ibérica trouxe grandes prejuízos econômicos para a região, entre os judeus estavam comerciantes, pequenos industriais e banqueiros que até mesmo emprestavam dinheiro para a Coroa, que a partir de então teve que recorrer a empréstimos de alemães e italianos, enfim a Espanha atrasou-se economicamente  durante muito tempo em relação a outros países da Europa por causa dessa expulsão.

Referência

História Ilustrada do Cristianismo. A Era dos Reformadores ate´a Era Inconclusa. Justo L. Gozález. Vida Nova, 2011.

 

O protestantismo é o pai do Individualismo e do Estado Laico?

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Católicos tridentinos costumam colocar a culpa no protestantismo em tudo o que aconteceu de ruim no pensamento humano pós-reforma! Colocam na conta do protestantismo o ateísmo e até mesmo o satanismo! No caso do individualismo e do Estado Laico, são coisas que só quem as acha ruim é o próprio catolicismo tridentino, mas será mesmo que o protestantismo foi o iniciador delas? Só lembrando que no afã de querer manchar o protestantismo, os católicos tridentinos acabam caindo em muitas contradições! Uma delas é considerar Lutero uma hora como o pai do Fideísmo e outrora como o pai da racionalidade moderna iluminista! Passaremos analisar esses fatos:

Lutero foi o precursor do individualismo e do racionalismo iluminista?

A ideia propagada por alguns historiadores, de que Martinho Lutero teria sido o iniciador do individualismo  e do racionalismo, possuiu o intento já no século XIX de mostrar a Alemanha como a grande idealizadora da civilização moderna e de tudo de valioso que ela trouxe. Mas essa ideia (utilizada pelos tridentinos) não se ajusta à verdade histórica, pois Lutero atacou e muito o racionalismo, proferindo termos como a “porca razão”, e a  “rameira razão”.

Lutero dava muita importância à Igreja para ser acusado pejorativamente de individualista, os próprios renascentistas italianos e muitos Papas eram renascentistas, foram bem mais individualistas do que Lutero.

Lutero nunca quis acabar com a Igreja, apesar de sua intransigência e desobediência justificáveis em relação às autoridades da época. Lutero repetidamente chamou a Igreja de mãe. Embora pregando a doutrina bíblica do sacerdócio real, em que cada um é sacerdote e tem livre acesso ao Pai, Lutero nunca pregou o isolamento, mas sim uma vida cristã no meio de uma comunidade de fiéis. Na verdade a doutrina do sacerdócio real não visa abolir a Igreja, mas sim aumenta a sua necessidade em vista que agora cada crente é sacerdote dos demais.

Lutero nunca quis abolir os sacramentos, apesar de reduzi-los a dois: O batismo  e a ceia. Esses sacramentos oriundos diretamente de Cristo, só podem chegar até nós através da Igreja, assim pregava Lutero.

Portanto as acusações católicas contra Lutero não procedem e chegam até mesmo a ser contraditórias, devido a oposição entre racionalismo e fedeísmo, como já expliquei na introdução deste texto.

Sobre o Individualismo, A Revolução Industrial  e a Igreja:

A Revolução Industrial causou grande impacto sobre a economia mundial, fazendo com que as populações rurais corressem paras as cidades, onde encontrariam trabalho, já que suas terras também já eram usadas para a produção de matérias-primas para a indústria. Nas cidades os recém-chegados viviam em péssimas condições, rompendo os laços da família extensa (pais, filhos, tios, avós) a família estava se reduzindo à sua expressão mínima (pais e filhos) com a perda das tradições familiares. Cada pessoa passou a cada vez mais ser responsável por sua própria vida, ou seja, o individualismo se fortaleceu com a Revolução Industrial. Imagem relacionada

Podemos perceber que as acusações católicas contra o protestantismo ter criado o individualismo, partem da lógica que as igrejas ditas como pietistas não seguem  o modelo da Igreja Católica e nem mesmo das Nacionais Protestantes que obrigavam os cidadãos a ser membros dessas igrejas. Só que o individualismo como subjetividade mais aguçada, começa a se desenvolver na época da  Revolução Industrial, como já mostrei, ou seja, séculos após o nascimento das primeiras igrejas pietistas como a Batista, Presbiteriana e Metodista.

É lógico que o individualismo, que já crescia desde a Revolução Francesa, favoreceu o crescimento dessas igrejas pietistas, em que os membros são membros por decisão própria e sustentam a Igreja, diferente das Igrejas nacionais que eram sustentadas pelo Estado e que obrigava os cidadão a ser membros dela. Foi a partir do pietismo que as grandes missões de evangelismo protestantes começaram e se expandir pelo mundo.

O Estado Laico

Os católicos tridentinos também acusam falaciosamente o protestantismo de ter originado o Estado Laico. Ressaltando também que o Estado Laico só é ruim para o próprio catolicismo. Mas o Estado Laico foi conseqüência das próprias guerras religiosas como a Guerra dos trinta anos entre católicos e protestantes e da perseguições católicas aos protestantes como foi a perseguição aos huguenotes na França e até mesmo de católicos contra católicos como foi a perseguição do catolicismo à corrente católica jansenista também na França. Quando falo em perseguição, inclui-se expulsões, prisões e mortes.

A partir daí, cada vez mais os pensadores, principalmente os iluministas, concluíram pelos fatos acontecidos, que era melhor separar a religião das questões de Estado. É certo também que o positivismo de Augusto Comte unido ao liberalismo econômico produziu um movimento anticatólico, até mesmo na América Latina em que o Clero ainda considerava a Espanha como o centro do Universo.

Voltaire, o famoso pensador iluminista, chegou a defender a causa protestante, não porque nutria simpatias pelo protestantismo, mas porque a perseguição católica aos protestantes lhe pareceu absurda e criminosa.

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Enfim, desde a Revolução Francesa em diante, tanto o catolicismo, quanto o protestantismo tiveram que se deparar com novas realidades políticas, econômicas, sociais e intelectuais, e enquanto o protestantismo procurou se adaptar a essa nova realidade, o catolicismo seguiu rumo contrário, sendo assim até a 1ª Guerra mundial. O certo é que na atualidade o catolicismo através do Vaticano II é mais progressista do que as idéias que os tridentinos combatem. Ou seja, os tridentinos além de falaciosos, são rebeldes à sua própria igreja.

Referência

História Ilustrada do Cristianismo. A Era dos Reformadores até a Era Inconclusa. Justo L Gonzales. Vida Nova.2011

Clayson não sabe o que é o Conservadorismo e nem os católicos também!

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Eu que não sou direita e nem esquerda já fiquei ao lado das opiniões de Clayson (esquerdista), principalmente nos seus embates com o Brasil Paralelo (direita), mas nessa agora, ele “deslizou na maionese” ao falar sobre o  Conservadorismo!

É claro que a palavra já diz muita coisa por si só, e lembra sempre conservar algo! No entanto o desenrolar político, social e econômico do termo possui várias nuances!

A oposição é Conservador x liberal ou Conservador x Progressista e aí ainda entram as nuances de se saber se esta se falando ou de economia ou de cultura, ou ainda em relação ao Brasil ou aos Estados Unidos!

Na política e na economia, o liberal na verdade seria o conservador! Não pelo fato de querer conservar algo, mas pelo fato do liberalismo está atrelado historicamente à propriedade privada e ao capitalismo que nem sempre precisa ser o selvagem! Mas que é a antítese do socialismo que prega o fim da propriedade privada e do próprio capitalismo!

Já na cultura o liberal é o progressista que não acredita no conceito de Verdade objetiva, por isso é relativista, multiculturalista, pós-modernista etc.

Para exemplificar e talvez até mesmo complicar ainda mais, existe a guerra teológica e agora política entre católicos e evangélicos. Alguns católicos de linha tridentina, dizem que somente eles, no universo, são os realmente conservadores! Pois pregam uma teologia ou ideologia de antes do concilio do Vaticano II, em que alguns Papas se declararam até mesmo contra a democracia e contra muita coisa do capitalismo, num visível ranço, compreensível para eles, principalmente da Revolução francesa e porque não mesmo da Industrial.

Já os evangélicos que se interessam por política e economia (o que não são tantos assim) se dizem conservadores justamente por estar ao lado da economia liberal e da democracia de viés norte-americana, que logicamente foi uma nação fundada por protestantes.

Vale salientar que não foi o protestantismo ou a Reforma que criaram as Revoluções como atacam os católicos, mas o protestantismo por questões lógicas soube muito melhor se adaptar e até mesmo catalisar questões como o capitalismo, a democracia, o Estado laico e etc…

Lembrando que a partir do Vaticano II a Igreja católica também faz sua adaptação aos novos tempos! E os católicos tridentinos, na verdade, não passam agora de saudosistas ou reacionários,  para não dizer até mesmo que são rebeldes à sua própria igreja, como são os sedevacantistas!

Voltando ao Clayson, fica claro diante do que ele falou no seu vídeo, e no que eu escrevi aqui, que o que está em jogo é a velha oposição entre esquerda x direita, a esquerda de viés marxista e a direita de viés capitalista, e soma-se à esquerda o próprio marxismo cultural que dá todo o tom “progressista” ao seus adeptos.

Concluindo:

É claro que todos esses grupos que citei sabem que existe um mal na busca desenfreada pelo dinheiro, pelo lucro, e dentre esses grupos os verdadeiros Conservadores estão abertos à avanços sim, já os outros dois grupos os comunistas (Clayson) e os católicos tridentinos estão apegados à utopias passadas, o primeiro ao comunismo (terras em comum)do início da civilização, os segundos à Idade Média.

Papa Gregório, o Grande: Da grandeza política à baixeza do Purgatório!

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Gregório I é considerado um dos maiores Papas de todos os tempos. Nasceu em Roma por volta do ano 540. A Roma em que Gregório cresceu vivia sitiada pelos exércitos Godos, Lombardos e pelos próprios Generais de Constantinopla que tanto defendiam quanto tomavam a Cidade. Com tantas batalhas, muitos dos velhos monumentos de Roma foram destruídos, os aquedutos foram abandonados e inundações traziam epidemias para os moradores.

Antes de ser Papa, Gregório chegou a ser prefeito , depois decidiu ser monge e foi embaixador do Papa Pelágio durante seis anos na corte de Constantinopla. Ao retornar ajudou o seu antecessor à reorganizar a Cidade e mantê-la limpa perante às invasões, a peste e as inundações. Com a morte de Pelágio pela própria peste, depois de alguma relutância, e com o aval do povo e do Clero, Gregório assumiu o Papado.

Uma de suas primeiras medidas como Papa foi convocar toda a população da cidade para uma grande procissão de penitência, para pedir a Deus o perdão dos pecados e o fim da Praga. Conta-se que a Praga cessou e que Gregório fez um excelente sermão nesse dia.

Depois organizou a distribuição de alimentos aos necessitados, reconstruiu os aquedutos e as fortificações, organizou novamente as guarnições de soldados. Perante um novo ataque dos Lombardos e sem a ajuda dos exércitos de Constantinopla, Gregório se vu obrigado a negociar diretamente com os invasores, como se ele fosse também o representante civil de Roma. Gregório sem o apoio do Império se viu muitas vezes obrigado a atuar por conta própria, e por isso ele é considerado como o fundador do poder temporal do papado.

O Papado possuía uma série de territórios que recebiam o nome de “patrimônio de São Pedro”. O território compreendia  igrejas e palácios de Roma, seus arredores e terras que iam da Itália até a África. Gregório pôs as riquezas dessas terras em prol de alimentar o povo de Roma. Com o passar do tempo os sucessores de Gregório ficaram sendo os governantes da Cidade de Roma e arredores,  e algum tempo depois, um documento conhecido como Doação de Constantino fora forjado com o conteúdo de uma suposta doação desses territórios pelo Imperador aos sucessores de Pedro.

Além da Política, Gregório dava muito valor à Pregação, proibiu luxos e adotou medidas em prol do celibato eclesiástico que muitos não cumpriam. Suas tentativas de reformas eclesiásticas em outras regiões do  Império não tiveram muito sucesso,tentou, mas não conseguiu  acabar com o Donatismo na Igreja  Africana, e apesar do prestigio político entre os Francos, não conseguiu impedir os governantes de nomearem bispos para a Igreja.

Gregório produziu numerosos sermões e cartas, não foi um pensador de altas esferas,  conformava-se em ser um porta voz da antiguidade cristã, era discípulo fervoroso dos Escritos de Agostinho. Apesar de sua erudição na patrística, conviveu em uma época de ignorância e em certo grau aceitou participar dela. Considerava Agostinho infalível, e o que para o bispo de Hipona não passava de conjecturas, para Gregório passou a ser certeza.

O Purgatório   Resultado de imagem para purgatório

Agostinho se aventurou a dizer que talvez existisse um lugar onde os que morressem ainda em pecados, tivessem que passar por um processo de purificação antes de adentrarem ao Paraíso. Baseado nessa suposição de Agostinho, Gregório declara que verdadeiramente existe esse lugar, e começa a desenvolver a doutrina do Purgatório.

Gregório ensina que damos satisfação a Deus pelos pecados que cometemos, através de penitências que consistem em arrependimento, confissão e pena ou castigo. Com a absolvição sacerdotal, Deus confere o perdão ao penitente. Os que não fizeram suficiente penitencia por seus pecados, vão para o purgatório, onde passam por algum tempo antes de entrarem no céu. As missas oferecidas em seus nomes,  ajudam os mortos a saírem do purgatório.

Na Aceitação de várias crenças, superstições e lendas de época, Gregório recheou as suas obras de narrações sobre milagres, aparições de defuntos, anjos e demônios. Com o decorrer do tempo, os escritos de Gregório passaram a ter a mesma autoridade que tinha os de Agostinho, foi aí que então boa parte das crenças populares do século VI foram incorporadas à doutrina cristã.

Na época da Reforma,o papado já estava tão deformado ou corrompido que  o lema dos vendedores de indulgências era: “Tão logo uma moeda na caixa cai, a alma do purgatório sai”.

Referência

História Ilustrada do Cristianismo. Justo L. González.

Especial 500 anos da Reforma: A falaciosa sucessão apostólica!

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A veracidade da sucessão apostólica dos Papas católicos, pregada e defendida por Romanistas, cai por terra, principalmente porque muitos papas só conseguiram assumir o pontificado depois de subornarem os cardeais, e até mesmo matar seus rivais, ou seja, o Espírito Santo não pode estar nesse negócio! Então vamos ver como tudo começou:

A palavra papa que significa papai, fora usada no começo da igreja, para qualquer bispo distinto, sendo ele de Roma ou não, documentos antigos se referem ao papa Cipriano de Cartago, ou ao Papa Atanásio de Alexandria.

Conquanto haja controvérsia que Pedro esteve em Roma e morreu nesta cidade, porém não existe nenhum documento antigo que diga que Pedro transferiu sua autoridade apostólica aos seus sucessores. Além do mais, as listas antigas que citam os primeiros bispos de Roma, não batem. Umas dizem que Clemente sucedeu diretamente a Pedro, outras dizem que ele foi o terceiro bispo depois do apóstolo. Essas inconsistências levaram alguns historiadores a conjecturar que talvez o bispado de Roma em seu princípio tenha sido um colegiado em que vários bispos ou presbíteros eram os dirigentes. A verdade é que durante todo o século II da era cristã, sabe-se muito pouco ou nada sobre o bispado romano.

Durante os primeiros séculos da história da igreja, o centro do cristianismo esteve no Oriente, sendo que os bispos de Antioquia e Alexandria tinham muito mais primazia do que o bispo de Roma. A África Latina também teve muito mais contribuição teológica do que Roma nos primórdios, sendo que de lá vieram Tertuliano, Cipriano e Agostinho.

A situação só começa a ficar a favor de Roma, depois que o Império aceitou o cristianismo, como Roma era a capital, logo o bispo dessa cidade chegou a uma posição de destaque. Depois de algum tempo a igreja estava dividida e organizada politicamente (não apostolicamente) em cinco patriarcados: Jerusalém, Antioquia, Alexandria, Constantinopla e Roma.

Foi só na época de Leão o Grande em que a Itália e boa parte da Europa Ocidental estavam atoladas no Caos devido às invasões bárbaras, que o papado preencheu o vazio, proporcionando certa estabilidade. Foi Leão que negociou com Átila e o fez desistir de invadir Roma, anos depois, em 455, negociou com os Vândalos impedindo que eles queimassem a cidade e matassem os habitantes.  Foi Leão também o primeiro a usar os argumentos das chaves a Pedro, de Pedro como Pedra e dizer que o que estava Escrito nas Escrituras também serviam para seus sucessores.

400 anos depois de Leão,  o Papado chegava a sua decadência, vejamos a história de alguns papas dessa época:

Em 897, Estevão VI preside o chamado “Concílio Cadavérico”. Seu antecessor o papa Formoso, foi desenterrado, vestido com roupas papais e o arrastaram pelas ruas. Depois o morto foi julgado e declarado culpado de vários crimes, cortaram-lhe as mãos com que tinha abençoado os fiéis  e lançaram seu corpo no Rio Tigre.

Em 904, o papa Sérgio III mandou matar seus dois rivais, Leão V e Cristóvão I. Sérgio III era amante de Marósia, pertencente a uma das famílias mais poderosas e ambiciosa da Itália, que o ajudou a chegar no poder. O filho desse casal também subiu ao trono papal com o nome de João XI, depois que sua mãe Marósia junto com seu verdadeiro marido o marquês de Túcia tomaram o palácio de Latrão e mataram o papa João X.

Trinta anos depois de João XI, o papa Bento VI foi deposto e estrangulado por Crescêncio, irmão de João XIII. João XIV morreu envenenado no calabouço por Bonifácio VII, que depois também foi envenenado.

E depois de tudo isso, os católicos ainda reclamam da Reforma Protestante!

História Ilustrada do Cristianismo. A Era dos mártires até a Era dos Sonhos Frustrados. Justo L. González. Vida Nova.

Especial 500 Anos da Reforma Protestante- Os Papas do Renascimento!

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Desde o Papa Eugênio IV que se ocupou em embelezar a cidade de Roma, passando pelo período da Reforma Protestante, o pontificado romano encarnou os ideais que a Renascença defendia. Quase todos eram amantes das belas artes, e não mediam esforços para trazer os melhores artistas e dotar a cidade de Roma de palácios, igrejas e grandes monumentos. Muitos também tinham amor pelas letras e enriqueceram as bibliotecas do Vaticano. Porém, poucos deles, se preocuparam com a Reforma da Igreja. Quase todos se perderam no amor pelo luxo, pelo poder despótico e pelos prazeres sensuais: Vejamos uma breve história de alguns deles:

Nicolau V ( 1447-1455) Sucedeu a Eugênio IV – Tinha por meta fazer de Roma a capital intelectual da Europa, trazendo os melhores pintores e autores para a cidade. Sua biblioteca pessoal chegou a ser uma das maiores no século XV. Fortificou os muros da cidade e expulsou os seus opositores. Tentou organizar uma cruzada contra os turcos mas não obteve êxito, quanto à Reforma da Igreja, ele não fez nada.

Calisto III, sucessor de Nicolau V, foi o primeiro papa dos Bórgia. Sonhava em ser um grande príncipe secular, pretendia unir a Itália para empreender uma cruzada contra os turcos, tendo se dedicado mais à guerra do que com suas responsabilidades religiosas. Foi no seu pontificado que o nepotismo começou a se intensificar tornando endêmico. Tornou Cardeal seu neto Rodrigo, a quem seria mais tarde o infame Alexandre VI.

Piu II, foi o último do período a manter uma certa dignidade no cargo de Papa. Devido a ameaça dos turcos, também tentou organizar uma cruzada. Embora não tenha feito nada de extraordinário no seu pontificado, também não cometeu grandes erros ou absurdos.

Paulo II- oportunista, seu principal interesse era acumular riquezas, em particular jóias e obras de arte, era pomposo, amante do luxo. Mesmo sendo papa, manteve suas concubinas, que a corte também não reprovava. Mandou restaurar os arcos do Triunfo dos imperadores Tito e Sétimo Severo, e a estátua de Marco Aurélio. Morreu jovem de apoplexia, em conseqüência de seus excessos sexuais, de acordo com os relatos de cronistas da época.

Sisto IV – Comprou os cardeais com promessas e presentes e assim assumiu o papado. Durante seu pontificado o nepotismo e a corrupção chegaram a níveis alarmantes. Sua maior preocupação era enriquecer a sua família, em particular os cinco sobrinhos. Um deles mais tarde seria o papa Júlio II. Toda Itália foi envolvida em guerras cujo o único objetivo era enriquecer os sobrinhos do papa. Esse papa chegou a excomungar toda a cidade de Florença por causa de uma trama feita por um de seus sobrinhos contra um dos Médici, também impôs o monopólio do trigo em todos os territórios papais onde os melhores pães iam para as arcas papais e o povo recibia o pão que o diabo amassou. Apesar de tudo isso, a história conhece Sisto IV como o mecenas que mandou edificar a Capela Sistina, assim chamada em sua homenagem.

Inocêncio VIII – Depois de eleito, quebrou a jura que não nomearia mais de um cardeal de sua família e que poria a sé romana em ordem. Alegou que o poder do papa era supremo, e por isso não precisava se sujeitar a nenhuma promessa. Foi o primeiro papa a reconhecer seus vários filhos ilegítimos, que cobriu de honras e riquezas. Com ele a venda de indulgências se tornou um negócio lucrativo e vergonhoso sob a liderança de um de seus filhos. Em 1884 queimou centenas de mulheres sob acusação de bruxaria. Essa foi sua medida para reformar a vida religiosa.

Rodrigo Bórgia – Também comprou os cardeais e foi eleito papa, com o nome de Alexandre VI.Com ele o papado chegou no ponto culminante de sua corrupção. Com ele o povo lamentava:  “Alexandre joga fora as chaves, os altares e até o Cristo. No fim das contas ele tem esse direito, pois os comprou”. Suas concubinas que também eram esposas de seus subalternos, deram-lhe filhos que Alexandre reconheceu como tais. Os mais famosos foram César e Lucrécia Bórgia. Mesmo não se tendo certeza de todos os  crimes e incestos que contam dessa família, a corrupção sem limites e as guerras que essa família causou, banharam a Itália em sangue e mancharam o papado como nunca antes.

A Reforma Protestante irrompe no pontificado de Leão X. Seu grande sonho foi completar a basílica de São Pedro, por esse motivo e por motivos militares intensificou a prática das indulgências.

Referência

História Ilustrada do Cristianismo. A Era dos mártires até a Era dos Sonhos Frustrados. Justo L. González. Vida Nova.