Por que o Cristianismo separou-se do Judaísmo?

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Grande parte dos cristãos possui a compreensão de que a Igreja como instituição corrompeu-se ao longo da História, por isso mesmo aconteceu a Reforma Protestante na tentativa de uma volta adaptada ao cristianismo primitivo até mesmo seguindo a tendência renascentista da época. Para o protestantismo a apostasia aconteceu aos poucos, intensificando a partir do Papado por volta do século V.

Outros grupos cristãos como os adventistas e até mesmo os desigrejados, dizem que a corrupção aconteceu com a oficialização de Constantino, que introduziu vários elementos pagãos na igreja e que o protestantismo é apenas um filho do catolicismo.  Agora aparecem vários grupos de tendências judaizantes dizendo que a Igreja corrompeu-se ainda no primeiro ou segundo século ao separar-se do judaísmo.

Grupos judaizantes não são coisa nova na história do cristianismo, na verdade a resposta definitiva a esses grupos já veio no século II no diálogo com Trifão de Justino o Mártir, mas como as heresias está sempre se requentando…

É óbvio que os primeiros cristãos vieram do judaísmo, Paulo apesar do conhecimento da “Loucura da Cruz” se dizia judeu e algumas vezes até cumpriu seus votos judaicos e assim também os outros apóstolos. Logo não demoraram surgir polêmicas, os judeus cristãos queriam que os novos convertidos também seguissem à Lei judaica principalmente no que concerne à circuncisão. Decidida a querela no Concilio de Jerusalém, a Igreja passa cada vez mais ter membros não judaicos em suas fileiras. E esse pode ser considerado o primeiro motivo da ruptura entre judaísmo e cristianismo. Os outros são:

1 – Os 27 Livros a mais, no chamado Novo Testamento ou Nova Aliança, e isso faz uma grande diferença quer queira ou não, até porque o novo testamento é uma espécie de interpretação ou culminação do Velho.

2 – O Conceito que Jesus é Deus e que o Espírito Santo é uma pessoa, ou seja, antes mesmo da Trindade ser oficializada já havia respaldo bíblico para esses Conceitos.

3 – A grande Comissão, Jesus mandou seus discípulos irem e fazerem discípulos de todas as nações, enquanto que o judaísmo espera que as pessoas se dirijam a Jerusalém.

4 – A pregação de que Jesus é Deus, mas que veio à Terra em forma humana, que morreu e ressuscitou, gerou a necessidade da criação de todo um campo de doutrinas que é a própria Teologia cristã em si.

Vale ressaltar também que os judeus modernos já não seguem somente à Torá, mas já possuem também todo um sistema de interpretação do Velho Testamento como o Talmud, a Mishná, e até mesmo a Cabala.

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A Inquisição Espanhola e a Perseguição aos Protestantes!

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Foi por volta de 1519 que os primeiros escritos de Lutero chegaram à Espanha, entre eles o seu comentário de Gálatas. Vindo dos Países Baixos, os livros dos reformadores iam penetrando na Espanha. Logo a Inquisição começou a tomar medidas para a destruição e proibição desses escritos.

Antes do final do reinado de Carlos V, algumas comunidades protestantes já existiam em Valhadolide e Sevilha. Juliano Hernandez o “Julianinho” foi um dos primeiros mártires que a Inquisição Espanhola abateu, fora levado várias vezes à câmara de torturas, não negou a sua fé e nem revelou o nome de seus irmãos. Depois de três anos de prisão e torturas, antes de ser levado à fogueira pronunciou as seguintes palavras:

“Coragem, camaradas! Esta é a hora em que devemos nos mostrar valentes soldados de Jesus Cristo. Demos fiel testemunho de sua fé diante dos homens e dentro de poucas horas receberemos o testemunho de sua aprovação diante dos anjos!”

Constantino Ponce de La Fuente, pregador da Catedral de Sevilha, era um estudioso das doutrinas protestantes. O convento de São Isidoro era outro centro de divulgação e estudos do protestantismo, com isso, os monges começaram a ler mais as Escrituras e dar menos atenção às rezas e ritos tradicionais. O protestantismo também chegou às freiras de Santa Clara e as cistercienses de São Belém.

Quando o protestantismo começa a chegar aos leigos das comarcas, prepara-se a tormenta, alertados, os monges de Santo Isidoro resolveram fugir para Genebra. Entre eles: João Perez, Cassiodoro de Reina e Cipriano de Valera, grandes tradutores e incentivadores da Bíblia na Espanha.

Centenas de pessoas em Sevilha e Valhadolide foram levadas às prisões da Inquisição, a guarda foi reforçada para que o povo não libertasse os presos. Constantino de La Fuente o Pregador de Sevilha, teve suas obras descobertas e estava entre esses presos, logo após em outras cidades, a Inquisição também prendeu várias pessoas.

Os processos inquisitoriais duravam por muito tempo, fazendo com que muitos morressem devido às más condições dos cárceres, antes mesmo de receberem o veredicto final. Um dos casos mais famosos foi o de Constantino que morreu de disenteria em uma prisão imunda, os inquisidores então inventaram a falsa história que ele teria se suicidado ingerindo vidros.

Numero de mortes:

1559 – Valhadolide – 27 pessoas mortas, 32 castigas publicamente

1559 – Sevilha – 21 pessoas mortas, entre elas 4 monges de Santo Isidoro que não haviam fugidos!

1560 – Sevilha – 14 pessoas mortas.

Durante os próximos dez anos, os autos de fé da Inquisição se multiplicaram e a cada ano houve pelo menos uma dúzia de pessoas mortas.

Houve também outras penas como confisco de bens, prisão perpetua, vestir sambenito etc. Desse modo, as mortes e punições aos luternos na Espanha foi bastante grande.

Muitos protestantes acabaram fugindo em meio às perseguições e fundaram várias igrejas protestantes espanholas em Amberes, Estrasburgo, Genebra, Hesse e Londres. Esses exilados traduziam a Bíblia para o Castelhano. Em 1602 Cassiodoro, um dos monges que haviam fugido, teve sua versão da Bíblia publicada, que chegou a ser a versão das Escrituras mais usada entre os protestantes espanhóis até recentemente.

Referência

História Ilustrada do Cristianismo. A Era dos Reformadores até a Era Inconclusa. Justo L Gonzales. Vida Nova.2011

A Inquisição Espanhola e a perseguição aos Judeus!

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Na Espanha aplicou-se uma Inovação na Inquisição, que foi a mesma ficar sob a supervisão da Coroa. A petição fora feita ao Papa Sisto IV pelos Reis católicos Isabel e Fernando. Era um momento em que o Papado nos fins do século XV passava por dificuldades,  e Isabel, a Rainha Católica, estava convencida que a purificação e a reforma da Igreja tinha que acontecer por suas mãos e não pelas mãos do Papa.

Antes de aplicar o Tribunal do Santo Ofício, Isabel promoveu na Espanha, uma vasta campanha contra as heresias, para que os chamados hereges abandonassem seus erros voluntariamente.

Quando se começou a aplicar os decretos papais da Inquisição em Castela, logo começaram os protestos que acabaram chegando em Roma. Em 1482 O Papa Sisto IV cancelou sua Bula, até mesmo porque suas relações já não eram tão amigáveis com os Reis católicos Espanhóis. Um ano depois, com a atuação de Rodrigo Bórgia que seria o Futuro Papa Alexandre VI, a Inquisição Espanhola foi restaurada com a nomeação do famoso e cruel Inquisidor dominicano Tomás de Torquemada.

A Espanha tinha sido, por boa parte da Idade Média, um dos países europeus mais tolerantes com os judeus. No entanto, a partir do século XV as coisas começaram a mudar com relação à tolerância espanhola ao povo judeu, devido ao nascente nacionalismo espanhol baseado na fé católica e as ações da Reconquista.

A intolerância católica aos judeus na Espanha, os colocavam em um beco sem saída: Quando por muita pressão algum judeu se convertia, ainda sim ele não se livrava da perseguição, pois agora dizia-se que a conversão não era verdadeira e que o judeu continuava praticando os ritos de sua velha religião.

A inquisição que visava extirpar a heresia, e para ser herege era preciso ser cristão, começou a ser bastante rigorosa com os judeus convertidos ao catolicismo. A tortura era aplicada com grande freqüência e o nome dos acusadores no processo inquisitorial espanhol era mantido em sigilo.

Com os rigores da Inquisição, arrancavam-se através de torturas, novas confissões e novas acusações contra outras pessoas. Se algum acusado era absolvido, já teria passado muitos anos trancafiado nas prisões inquisitoriais, onde as condições eram péssimas, toda essa crueldade não tem justificativa, nem defesa como muitos apologistas católicos tentam.

Outra característica do processo inquisitorial era que os bens dos condenados à morte, eram confiscados, a principio, esses bens eram destinados a obras religiosas, depois foram parar nos fundos reais.

Existiam também as “reconciliações” que consistia num pagamento de dinheiro para a liberdade, nos anos de 1495 a 1497, o dinheiro obtido nas reconciliações foi utilizado para pagar as despesas da guerra de Granada.

Nessa época, corriam por todos os lados, boatos contra os Judeus, os judeus que não se convertiam e assim estavam fora da jurisdição da Inquisição, eram acusados de tentar trazer de volta à sua fé, os judeus convertidos, comentavam-se falsamente também que os Judeus tramavam uma grande conspiração para tomarem o país.

Também no final do século XV, aconteceu o que ficou conhecido como o episódio do “santo menino da guarda” em que um grupo de Judeus convertidos fora acusado de matar uma criança num suposto ritual em que seu coração e uma hóstia consagrada foram utilizados para trazer malefícios contra os cristãos. Torquemada, com frágeis provas, declarou culpados os acusados e os mandou queimar em Ávila. A partir de então, em várias cidades, os espanhóis mataram e perseguiram muitos judeus.

Em 1492 vem o golpe final sobre os judeus da Espanha, um decreto real dava quatro meses para que todos os judeus deixassem a Espanha a não ser que se convertessem ao catolicismo, eles podiam vender suas propriedades, mas não podiam levar ouro, prata e cavalos. Os reis católicos esperavam através desse ato, que a maioria dos judeus ficassem e se batizassem, mas o povo de Abraão não se deixou abalar e mais de 100.000 judeus abandonaram o país e partiram para rumo incerto, muitos morreram assaltados e enganados por quem lhe oferecia ajuda, outros foram para Portugal de onde posteriormente também foram expulsos a mando de Isabel que casara sua filha com o Rei Português.

Conclusão:

A expulsão dos judeus da Península Ibérica trouxe grandes prejuízos econômicos para a região, entre os judeus estavam comerciantes, pequenos industriais e banqueiros que até mesmo emprestavam dinheiro para a Coroa, que a partir de então teve que recorrer a empréstimos de alemães e italianos, enfim a Espanha atrasou-se economicamente  durante muito tempo em relação a outros países da Europa por causa dessa expulsão.

Referência

História Ilustrada do Cristianismo. A Era dos Reformadores ate´a Era Inconclusa. Justo L. Gozález. Vida Nova, 2011.

 

O protestantismo é o pai do Individualismo e do Estado Laico?

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Católicos tridentinos costumam colocar a culpa no protestantismo em tudo o que aconteceu de ruim no pensamento humano pós-reforma! Colocam na conta do protestantismo o ateísmo e até mesmo o satanismo! No caso do individualismo e do Estado Laico, são coisas que só quem as acha ruim é o próprio catolicismo tridentino, mas será mesmo que o protestantismo foi o iniciador delas? Só lembrando que no afã de querer manchar o protestantismo, os católicos tridentinos acabam caindo em muitas contradições! Uma delas é considerar Lutero uma hora como o pai do Fideísmo e outrora como o pai da racionalidade moderna iluminista! Passaremos analisar esses fatos:

Lutero foi o precursor do individualismo e do racionalismo iluminista?

A ideia propagada por alguns historiadores, de que Martinho Lutero teria sido o iniciador do individualismo  e do racionalismo, possuiu o intento já no século XIX de mostrar a Alemanha como a grande idealizadora da civilização moderna e de tudo de valioso que ela trouxe. Mas essa ideia (utilizada pelos tridentinos) não se ajusta à verdade histórica, pois Lutero atacou e muito o racionalismo, proferindo termos como a “porca razão”, e a  “rameira razão”.

Lutero dava muita importância à Igreja para ser acusado pejorativamente de individualista, os próprios renascentistas italianos e muitos Papas eram renascentistas, foram bem mais individualistas do que Lutero.

Lutero nunca quis acabar com a Igreja, apesar de sua intransigência e desobediência justificáveis em relação às autoridades da época. Lutero repetidamente chamou a Igreja de mãe. Embora pregando a doutrina bíblica do sacerdócio real, em que cada um é sacerdote e tem livre acesso ao Pai, Lutero nunca pregou o isolamento, mas sim uma vida cristã no meio de uma comunidade de fiéis. Na verdade a doutrina do sacerdócio real não visa abolir a Igreja, mas sim aumenta a sua necessidade em vista que agora cada crente é sacerdote dos demais.

Lutero nunca quis abolir os sacramentos, apesar de reduzi-los a dois: O batismo  e a ceia. Esses sacramentos oriundos diretamente de Cristo, só podem chegar até nós através da Igreja, assim pregava Lutero.

Portanto as acusações católicas contra Lutero não procedem e chegam até mesmo a ser contraditórias, devido a oposição entre racionalismo e fedeísmo, como já expliquei na introdução deste texto.

Sobre o Individualismo, A Revolução Industrial  e a Igreja:

A Revolução Industrial causou grande impacto sobre a economia mundial, fazendo com que as populações rurais corressem paras as cidades, onde encontrariam trabalho, já que suas terras também já eram usadas para a produção de matérias-primas para a indústria. Nas cidades os recém-chegados viviam em péssimas condições, rompendo os laços da família extensa (pais, filhos, tios, avós) a família estava se reduzindo à sua expressão mínima (pais e filhos) com a perda das tradições familiares. Cada pessoa passou a cada vez mais ser responsável por sua própria vida, ou seja, o individualismo se fortaleceu com a Revolução Industrial. Imagem relacionada

Podemos perceber que as acusações católicas contra o protestantismo ter criado o individualismo, partem da lógica que as igrejas ditas como pietistas não seguem  o modelo da Igreja Católica e nem mesmo das Nacionais Protestantes que obrigavam os cidadãos a ser membros dessas igrejas. Só que o individualismo como subjetividade mais aguçada, começa a se desenvolver na época da  Revolução Industrial, como já mostrei, ou seja, séculos após o nascimento das primeiras igrejas pietistas como a Batista, Presbiteriana e Metodista.

É lógico que o individualismo, que já crescia desde a Revolução Francesa, favoreceu o crescimento dessas igrejas pietistas, em que os membros são membros por decisão própria e sustentam a Igreja, diferente das Igrejas nacionais que eram sustentadas pelo Estado e que obrigava os cidadão a ser membros dela. Foi a partir do pietismo que as grandes missões de evangelismo protestantes começaram e se expandir pelo mundo.

O Estado Laico

Os católicos tridentinos também acusam falaciosamente o protestantismo de ter originado o Estado Laico. Ressaltando também que o Estado Laico só é ruim para o próprio catolicismo. Mas o Estado Laico foi conseqüência das próprias guerras religiosas como a Guerra dos trinta anos entre católicos e protestantes e da perseguições católicas aos protestantes como foi a perseguição aos huguenotes na França e até mesmo de católicos contra católicos como foi a perseguição do catolicismo à corrente católica jansenista também na França. Quando falo em perseguição, inclui-se expulsões, prisões e mortes.

A partir daí, cada vez mais os pensadores, principalmente os iluministas, concluíram pelos fatos acontecidos, que era melhor separar a religião das questões de Estado. É certo também que o positivismo de Augusto Comte unido ao liberalismo econômico produziu um movimento anticatólico, até mesmo na América Latina em que o Clero ainda considerava a Espanha como o centro do Universo.

Voltaire, o famoso pensador iluminista, chegou a defender a causa protestante, não porque nutria simpatias pelo protestantismo, mas porque a perseguição católica aos protestantes lhe pareceu absurda e criminosa.

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Enfim, desde a Revolução Francesa em diante, tanto o catolicismo, quanto o protestantismo tiveram que se deparar com novas realidades políticas, econômicas, sociais e intelectuais, e enquanto o protestantismo procurou se adaptar a essa nova realidade, o catolicismo seguiu rumo contrário, sendo assim até a 1ª Guerra mundial. O certo é que na atualidade o catolicismo através do Vaticano II é mais progressista do que as idéias que os tridentinos combatem. Ou seja, os tridentinos além de falaciosos, são rebeldes à sua própria igreja.

Referência

História Ilustrada do Cristianismo. A Era dos Reformadores até a Era Inconclusa. Justo L Gonzales. Vida Nova.2011

Ponderações sobre Trump e Jerusalém – Tudo espetáculo midiático!

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Você que acha que os EUA já vai mudar sua embaixada rapidamente  em Israel de Tel Aviv para Jerusalém, saiba que infelizmente você está enganado ou foi enganado!

Na verdade uma lei para essa mudança na Embaixada, já existia a mais de duas décadas no Congresso Americano, com a Cláusula que o Presidente pode adiar ininterruptamente essa mudança a cada 6 meses, e isso foi feito por todos os presidentes de lá para cá, inclusive com Trump que já tinha adiado essa mudança em junho e agora em Dezembro antes do seu discurso! Ou seja, levará no mínimo mais 6 meses para isso acontecer, isso se Trump não adiar novamente! Do jeito que se mostra inconstante, onde só late mais não morde! Vide Coreia do Norte!

Outra coisa que tem que ser esclarecida é se Trump reconheceu Jerusalém toda como capital de Israel ou somente Jerusalém Ocidental, até agora não veio esse esclarecimento! Sendo que a parte oriental é onde moram a maioria dos muçulmanos!

Sabemos que Trump tem interesse em resolver todo esse impasse entre judeus e palestinos! Mas será esse o acordo de Paz que a Bíblia relata? Que será feito entre o Anticristo e os judeus? Qual será realmente a intenção de Trump nisso tudo? Será que ele conhece a escatologia bíblica e ocultismo que tratam desse tema antagonicamente? E Jared o genro de Trump!Qual o papel dele nisso tudo?

O certo que Israel se diz inimigo do Irã xiita e seus grupos aliados que inclui a Rússia, mas no fundo é amigo da Arábia Saudita e seus grupos aliados como o Talibã e o Estado Islâmico! E ainda tem a Turquia de Erdogan que ninguém sabe de qual lado está!

Enfim, as cartas estão sendo jogadas, mas ainda muita coisa é obscura!

Com informações:

Julio Severo

Papa Gregório, o Grande: Da grandeza política à baixeza do Purgatório!

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Gregório I é considerado um dos maiores Papas de todos os tempos. Nasceu em Roma por volta do ano 540. A Roma em que Gregório cresceu vivia sitiada pelos exércitos Godos, Lombardos e pelos próprios Generais de Constantinopla que tanto defendiam quanto tomavam a Cidade. Com tantas batalhas, muitos dos velhos monumentos de Roma foram destruídos, os aquedutos foram abandonados e inundações traziam epidemias para os moradores.

Antes de ser Papa, Gregório chegou a ser prefeito , depois decidiu ser monge e foi embaixador do Papa Pelágio durante seis anos na corte de Constantinopla. Ao retornar ajudou o seu antecessor à reorganizar a Cidade e mantê-la limpa perante às invasões, a peste e as inundações. Com a morte de Pelágio pela própria peste, depois de alguma relutância, e com o aval do povo e do Clero, Gregório assumiu o Papado.

Uma de suas primeiras medidas como Papa foi convocar toda a população da cidade para uma grande procissão de penitência, para pedir a Deus o perdão dos pecados e o fim da Praga. Conta-se que a Praga cessou e que Gregório fez um excelente sermão nesse dia.

Depois organizou a distribuição de alimentos aos necessitados, reconstruiu os aquedutos e as fortificações, organizou novamente as guarnições de soldados. Perante um novo ataque dos Lombardos e sem a ajuda dos exércitos de Constantinopla, Gregório se vu obrigado a negociar diretamente com os invasores, como se ele fosse também o representante civil de Roma. Gregório sem o apoio do Império se viu muitas vezes obrigado a atuar por conta própria, e por isso ele é considerado como o fundador do poder temporal do papado.

O Papado possuía uma série de territórios que recebiam o nome de “patrimônio de São Pedro”. O território compreendia  igrejas e palácios de Roma, seus arredores e terras que iam da Itália até a África. Gregório pôs as riquezas dessas terras em prol de alimentar o povo de Roma. Com o passar do tempo os sucessores de Gregório ficaram sendo os governantes da Cidade de Roma e arredores,  e algum tempo depois, um documento conhecido como Doação de Constantino fora forjado com o conteúdo de uma suposta doação desses territórios pelo Imperador aos sucessores de Pedro.

Além da Política, Gregório dava muito valor à Pregação, proibiu luxos e adotou medidas em prol do celibato eclesiástico que muitos não cumpriam. Suas tentativas de reformas eclesiásticas em outras regiões do  Império não tiveram muito sucesso,tentou, mas não conseguiu  acabar com o Donatismo na Igreja  Africana, e apesar do prestigio político entre os Francos, não conseguiu impedir os governantes de nomearem bispos para a Igreja.

Gregório produziu numerosos sermões e cartas, não foi um pensador de altas esferas,  conformava-se em ser um porta voz da antiguidade cristã, era discípulo fervoroso dos Escritos de Agostinho. Apesar de sua erudição na patrística, conviveu em uma época de ignorância e em certo grau aceitou participar dela. Considerava Agostinho infalível, e o que para o bispo de Hipona não passava de conjecturas, para Gregório passou a ser certeza.

O Purgatório   Resultado de imagem para purgatório

Agostinho se aventurou a dizer que talvez existisse um lugar onde os que morressem ainda em pecados, tivessem que passar por um processo de purificação antes de adentrarem ao Paraíso. Baseado nessa suposição de Agostinho, Gregório declara que verdadeiramente existe esse lugar, e começa a desenvolver a doutrina do Purgatório.

Gregório ensina que damos satisfação a Deus pelos pecados que cometemos, através de penitências que consistem em arrependimento, confissão e pena ou castigo. Com a absolvição sacerdotal, Deus confere o perdão ao penitente. Os que não fizeram suficiente penitencia por seus pecados, vão para o purgatório, onde passam por algum tempo antes de entrarem no céu. As missas oferecidas em seus nomes,  ajudam os mortos a saírem do purgatório.

Na Aceitação de várias crenças, superstições e lendas de época, Gregório recheou as suas obras de narrações sobre milagres, aparições de defuntos, anjos e demônios. Com o decorrer do tempo, os escritos de Gregório passaram a ter a mesma autoridade que tinha os de Agostinho, foi aí que então boa parte das crenças populares do século VI foram incorporadas à doutrina cristã.

Na época da Reforma,o papado já estava tão deformado ou corrompido que  o lema dos vendedores de indulgências era: “Tão logo uma moeda na caixa cai, a alma do purgatório sai”.

Referência

História Ilustrada do Cristianismo. Justo L. González.

“Brasil para Lerdos”, “Seu Craysson” e Dom João VI

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O Clayson do canal Clayson fez mais uma crítica ao Brasil Paralelo. Brasil Paralelo que promove uma série de vídeos de cunho histórico e nesse seu último vídeo andou falando da vinda da Família Real Portuguesa ao Brasil em 1808. O Brasil Paralelo já mostrou nos conteúdos de suas produções que promove um certo revisionismo histórico, ao meu ver, com o intuito de criar um certo conservadorismo com raízes ibéricas para o favorecimento da tal nova direita brasileira. Nisso envolve-se apologia à personagens maçônicos e imperiais.

Eu não assisti esse episódio do documentário, não tenho paciência, acho tudo muito bucólico, barroco, mas assisti a crítica de Clayson, e como bom entendedor já dá para emitir uma opinião.

Como no vídeo dos Templários o Clayson acerta novamente, não existe heroísmo no episódio da Vinda da Família Real Portuguesa ao Brasil. Essa vinda se insere na busca por mercados consumidores na época da Revolução Industrial, ou seja, na disputa entre as duas maiores  potências da época: França e Inglaterra.

A França, no comando de Napoleão, possuía um exército muito mais poderoso do que o da Inglaterra, por outro lado a Inglaterra possuía uma Marinha bem mais poderosa do que a francesa. Napoleão percebendo que não conseguiria invadir a Inglaterra, resolveu decretar o Bloqueio Continental que proibia as nações europeias continentais de comerciar com a Inglaterra.

Portugal dependente economicamente da Inglaterra, não podia bloquear seus portos aos navios ingleses, sob pena de ruína total, por outro lado, desobedecer Napoleão poderia significar a invasão do país por tropas francesas. Pressionado pelos dois lados, Dom João VI procurou ganhar tempo, até que em outubro de 1807 assinou uma convenção secreta com a Inglaterra que previa:

  • Proteção da marinha inglesa para a família Real e funcionários do alto escalão da Corte na fuga para o Brasil.
  • Direito Inglês de instalar na Ilha da Madeira bases militares.
  • Direito de utilização de portos no sul do Brasil para o comercio inglês com a região do Rio da Prata.

Ao ficar sabendo do acordo luso- inglês, Napoleão assinou com sua aliada Espanha o Tratado de Fontainebleau que preconizava:

  • A invasão e desmembramento de Portugal
  • A divisão das colônias portuguesas entre França e Espanha
  • A extinção da dinastia de Bragança.

A fuga para o Brasil foi um momento dantesco! As tropas francesas já haviam invadido o país, enquanto o Tesouro Nacional era saqueado por membros do governo lusitano e nobres que fugiam para o Brasil. O povo estava sendo roubado e abandonado por sua Nobreza num dos momentos mais críticos da história do país.

A corte corrupta e os parasitas que viviam em sua volta fugiam para gozar as delícias e a segurança da Colônia Tropical. Dom João fugiu disfarçado para não ser reconhecido pela fúria popular, no desespero muita gente morreu afogada tentando nadar até os navios que partiam.

Segundo Nelson Werneck Sodré, “ Foi um salve-se quem puder trágico, amargo, característico do nível de desagregação a que chegara o Reino de Portugal sob o governo bragantino e de uma classe feudal inepta e corrupta. O espetáculo teve cores dantescas”.

No meio da balburdia, uma frase acertada foi dita pela louca rainha D. Maria I aos que a conduziam: “ Não corram tanto! Vão pensar que estamos fugindo”

Nota-se que não houve nenhum heroísmo na vinda da Família Real ao Brasil, e quem mais ganhou com isso foi a Inglaterra que teve seus produtos facilmente comercializados no Brasil, de lenços a caixões, com preços alfandegários até menores do que os produtos vindos até mesmo de Portugal o que afetou ou atrasou o inicio da industrialização brasileira.

Notamos então que esse revisionismo do Brasil Paralelo não cola, o Brasil desde o início foi uma colônia de exploração, vieram para cá primeiramente degredados e criminosos e posteriormente toda uma nobreza e burocráticos corruptos que ajudaram a formar o tal do jeitinho brasileiro que se caracteriza por tirar vantagens em tudo em detrimento de qualquer ética ou responsabilidade.

Referência

História do Brasil. Francisco de Assis Silva.